26.8.12

Programa potencializa autocontrole de gestantes


A tese de doutorado da fisioterapeuta Maria Amélia Miquelutti traz a importância da preparação para o parto em programas estruturados de preparação para o parto, especialmente na rede pública de saúde.

Pesquisa aponta que grávidas que participaram do Programa de Preparo para o Parto (PPP) tiveram menor risco de desenvolver incontinência urinária na gestação, problema que acomete cerca de 50% das mulheres durante a gravidez, quando comparadas às gestantes que não aderiram à iniciativa. Os resultados da avaliação do programa feita em 197 mulheres mostraram também que são várias as ações que podem diminuir a ansiedade e prevenir a dor durante o trabalho de parto. As participantes do programa relataram maior autocontrole e, consequentemente, maior satisfação com a experiência do parto. Participaram dos estudos gestantes inscritas no programa no Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti (Caism/Unicamp) e nos postos de saúde municipais do Jardim Aurélia, Vila Padre Anchieta, Jardim Santa Mônica e Jardim São Marcos, em Campinas. 
Para a fisioterapeuta Maria Amélia Miquelutti Spilla, que avaliou em sua tese de doutorado a efetividade do programa, os resultados superaram as expectativas. As intervenções fizeram com que as gestantes realizassem mais exercícios físicos durante a gravidez, com atividades amplamente recomendadas para prevenir algumas morbidades. Ela destaca que a literatura mostra uma tendência à diminuição de exercícios nesta fase ainda que este tipo de atividade seja indicado por especialistas do mundo inteiro para que se tenha uma gravidez saudável e com maior autonomia no trabalho de parto, sempre com o objetivo de prevenir desconfortos físicos e combater os altos níveis de ansiedade.
O programa foi desenhado para que pudesse ser incorporado na rede pública de saúde, como uma ação de melhoria na atenção à saúde da gestante. Em geral, as queixas das mulheres são recorrentes e, muitas vezes, subestimadas pelos médicos. Segundo Maria Amélia, que contou com a orientação da professora Maria Yolanda Makuch, o diferencial proposto pelo estudo foi contemplar todas as questões envolvidas na gravidez em um único programa junto às consultas de pré-natal. No Caism, o programa abrange, também, atividades com a equipe de enfermagem e psicologia. 
Todas as orientações são feitas por meio de palestras, além de também se realizar exercícios aeróbicos, ginástica localizada e os exercícios de assoalho pélvico. São ensinadas técnicas de alívio da dor, tais como respiração, massagem, posições verticais e exercícios na bola, visando o autocontrole no momento do parto. “Muitas informações são dadas à paciente somente nos momentos que antecedem o parto, quando a gestante já está no centro obstétrico e, dificilmente, tem condições de assimilar as orientações e manter o autocontrole. Quando a informação é passada antes, o resultado é muito melhor”, argumenta. 
A surpresa do estudo foi deparar com a porcentagem de mulheres que não sabiam da existência da musculatura do períneo. Cerca de 80% das gestantes nunca tinham ouvido falar e sequer sabiam dos exercícios que são simples e com resultado eficiente para uma das queixas mais comuns nas gestantes. Maria Amélia lembra que não é necessária roupa específica e os exercícios podem ser feitos em qualquer lugar, até mesmo no supermercado. “É importante dizer que apenas um relato de perda urinária já é caracterizado como quadro de incontinência”, esclarece.   
Maria Amélia conta que há alguns anos o programa do Caism vinha tendo baixa adesão das mulheres, que alegavam não possuir condições financeiras para se deslocar ao hospital a fim de participar das intervenções. “Muitas relatavam inúmeras dificuldades, ainda que tivessem vontade de se preparar para o parto”, explica. Neste sentido, a proposta foi alterar as datas do programa para os dias em que as mulheres comparecem à consulta de pré-natal. Desta forma, enquanto esperavam pela consulta elas participavam das palestras e realizavam exercícios físicos. A fórmula deu certo e a expectativa, segundo a fisioterapeuta, é que o programa entre em funcionamento neste formato no próximo ano.  
Os relatos das gestantes foram colhidos por meio de questionários em três momentos da gestação. No início, depois de 30 semanas e, ao final, quando completava 36 semanas. As técnicas para alívio da dor foram avaliadas em 21 mulheres, sendo 10 do grupo controle. O pré-requisito era o de ter passado quatro horas de trabalho de parto com contrações, sem ter tomado anestesia e tentado fazer algum procedimento instruído. “A análise mostrou que fez muita diferença a utilização das técnicas”.
■ Publicação
Tese: “Avaliação da efetividade de um Programa de Preparo para o Parto”
Autor: Maria Amélia Miquelutti Spilla
Orientador: Maria Yolanda Makuch
Unidade: Faculdade de Ciências Médicas (FCM)

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